burundangasemlatim asked:
de onde surgiu essa ideia? de criar um tumblr assim.

Surgiu de conversas entre os quatro integrantes, no início, não sabíamos que teria um tumblr específico para o botequim, depois de iniciar a história e começar a ver as pessoas se interessarem, veio a ideia de criar um tumblr próprio para ele. 


Antônio Martins - Rafael Escobar

Era para ser assim, um simples dia, o sol raiando, os passarinhos cantando e as crianças brincando. O dia começou tão bem que eu logo estranhei, por volta do meio dia, vinha à clientela atrás de papo, de uma cervejinha, de um almoço digno. Alguns voltaram ao trabalho logo em seguida, outros ficaram por ali mesmo, jogando seu xadrez, seu dominó, ou somente olhando para as bundas que se passavam na rua. Não, não irei falar que eram mulheres, pois eles não olhavam as mulheres em si, olhavam sim as bundas, as pernas, olhavam para a carne, com desejo ou apenas por distração, para a beleza do olhar. O quê tem de errado certo? A meu ver, nada! Essas carnes são para isso, para embelezar nossos dias com um toque a mais no nosso ver diário. Não é sempre, quer dizer, estou mentindo agora aqui para vocês, é sempre sim, a gente não se cansa, a gente olha mesmo, as vezes comenta, ou as vezes só se completa olhando. O dia foi passando, clientela rindo, gozando de sua tarde bem feita, bem aproveitada, trocando experiências e histórias, e eu naquele meio escutando um pouco daqui, um pouco dali. Sendo chamado de mesa em mesa para ser o “juiz” da história. É mais ou menos assim que funciona:

 Tonho, venha aqui escuta essa bobeira que o Zeca está falando. Pedro me chama, dando risada e desacreditando na história contada pelo Zeca. 
Em pé, ao lado deles, fiquei ouvindo a história que saia da boca do Zeca.

 Tonho, ontem a noite uma mulher me chamou para sair e eu agüentei a noite toda com ela. O Pedro acha que eu não tenho mais essa capacidade, que eu preciso de uma azulzinha para agüentar 30 minutos. - Nesse mesmo momento eu já comecei a rir, Zeca, era tão enrugado já, que cada centímetro de seu rosto, jogando baixo, era umas 15 linhas. Então assim ele continua falando

 Tonho a mulher era a minha azulzinha, tanto que eu falei para ela, com você não preciso de fórmula mágica, já tenho a própria. E o Pedro acha que estou mentindo, só porque ele não levanta nem quando quer ficar no mano a mano. 

Era esse o momento onde eu deveria ser o “juiz” e ver, quem estava errado, mas como garçom, eu não posso, tem que ser político alguns momentos, agradar a todos. E falei: 

 Zeca, que mulher é essa? Apresenta para todos, pois todos nós precisamos de uma assim. No meio de gargalhadas de nós três, peguei meu rumo à outra mesa para servir.

No meio dessa bagunça toda e brincadeiras gostosas de um dia em calma, avisto um cliente diferente, nunca visto aqui pelas redondezas, já era 17:34, eu pensei, ou ele não é daqui, ou é um vagabundo mesmo que acabou de perder seu emprego. Fui atendê-lo, ele me parecia meio perdido, mas em casa ao mesmo tempo, achei engraçado e admirável a sua atitude de se posicionar no local, chegou perto ao balcão e me chamou com as mãos para perto perguntando:

 Amigo, tem banheiro?  Me olhando sério eu logo indiquei com as mãos onde era o banheiro.

 Logo ali, primeira porta a esquerda.

 Obrigado… e qual teu nome amigo?

 Tonho, pode me chamar de Tonho!

 Certo Tonho, já me vê uma cervejinha trincando aí para mim.

Quando ele se retirou para ir ao banheiro, já fui pegar o pedido dele, aquela cerveja trincando de tão gelada, até eu fiquei com vontade de me esbaldar aquele momento, mas não, tinha que continuar servindo. É que nem puta sabe? Todos comem, gozam, falam mal, se divertem, e ela só ganha o dinheiro com isso, nada mais e nada menos. Mas no meu caso é diferente, como já lhe disse uma vez, eu ganho histórias, eu ganho vivências, de outras pessoas, mas eu ganho. Nada mal para um servidor, não é mesmo?

Chega então o cara do banheiro, eu tenho que tomar cuidado com meus pensamentos, eles viram vícios em minha mente. Sentando no balcão quase engolindo o primeiro copo de cerveja, com uma cara de satisfeito ele chega totalmente desinibido estendendo sua mão:

 Tonho né? Sou o Rafael Escobar.

Aquele sotaque não era daqui, tinha certeza, eu conheço as pessoas que rodeiam o botequim e a comunidade, então comecei um diálogo com o cara desinibido que é conhecido agora como Rafael.

 Rafael, tá vindo da onde?

 Do mundo, Tonho… Do mundo. Gostei desse lugar, passei por vários banheiros, mas não tive vontade de entrar em nenhum. Na verdade, nem com vontade de ir ao banheiro eu estava. É só um jeito mais fácil de dar “Oi” que encontrei. Eu venho de longe, muito mesmo. Se me puser de volta, nem sei mais como chegar de onde saí. Eu acho que viajo por aí para provar todas as mulheres, sou um eterno boêmio. E muito galanteador, diga-se de passagem. Já me deitei com tantas mulheres que perdi a conta. Lembro-me que houve noites em que estava com quatro na mesma cama. E energia para caminhar no outro dia. Sou um eterno peregrino, pois a vida assim quis que fosse. Minha mãe é a estrada e meu pai é esse copo gelado que me deixa tão feliz. Há muitas mulheres por aqui?

Quando Rafael ainda falava, eu ficava acenando com a cabeça que prestava atenção e soltava algumas risadas ainda no meio de seu monólogo interessante. Mas me passou na cabeça, seria ele um pescador ou uma alma pescadora? Não sei né? Apenas o respondo da melhor forma, pois ao menos, ele era engraçado.

 Rafael, o que não falta aqui é samba, mulher, bebida e dívida. Tô sabendo até de mulheres que fazem milagres e levantam o nosso amigo melhor que aquela bala azul, sabe? – Rindo eu aponto para o Zeca e Pedro que estão ao lado de fora do botequim jogando seu xadrez e discutindo algo que não dava para entender. – Eles sim, eles sabem bem aonde você irá conseguir as mulheres para a sua conta se perder mais ainda nos números.  

Logo após eu ter falado, lá vem eles me chamando novamente, tive que deixar o Rafael sozinho, o que era uma pena, queria conhecer um pouco mais sobre esse mundo do Dom Rafael, mas meu dia começaria ali, com os pedidos acirrados dos clientes, que nem boate de strip, todos ficam chamando a mulher com o dinheiro, mas o dinheiro mesmo, que é bom, está faltando para mim. 

(Source: vidasdebotequim)

Beber não é uma doença?
- Respirar é uma doença!

Charles Bukowski

(Source: vidasdebotequim)

poeta-docente-deactivated201112 asked:
Bora tomar uma ceva! haha

haha Opa, sente-se aqui com a gente e vamos aproveitar esse final de domingo! /alê


Maurício Goes

Saí naquele sábado de madrugada já não muito bem do bar. E como a moto era da empresa preferi ir com o carro do Paulo. Paulo era meu vizinho, um vagabundo, diga-se de passagem, não fazia nada mesmo da vida. Conseguia ser pior que eu em quase tudo. Mas enfim, ele tinha um carro. E àquela hora eu não sabia nem se isso seria bom. Espero chegar vivo em casa.

- Paulo, você vai dirigindo?

- EEEEEU VO..IH, cadê a chave?

Eu realmente me sentia bêbado, mas mudei de idéia assim que percebi o grito enrolado dele. Eu cairia com o cheiro de álcool se estivesse um pouco mais perto.

- Ah Paulo, do jeito que você está não vai conseguir chegar nem na porta do carro. Me dá essa chave aqui. - Retruquei revoltado, como se estivesse com a razão.

Eu não gosto de carros, mas daquela vez não tinha jeito. Eu já não estava conseguindo dirigir direito devido ao fato de estar com o nível alcoólico bastante elevado, pra piorar ainda mais o Paulo estava balançando mais do que a Vera Verão em dia de carnaval. Eu muito bêbado resolvi amarrá-lo. É, com corda mesmo, amordacei o coitado. E é melhor ainda se eu pular essa parte da história. Eu estava conscientemente incapacitado, lembra?

E quase que n’um instante depois ouço uma sirene de polícia. Merda. Olhei para o espelho retrovisor. Era uma viatura de polícia, mandando que eu parasse. Meu primeiro instinto foi querer acelerar e tentar escapar, mas eu lembrei que, mesmo no carro do Paulo, quem iria preso seria eu. Então eu parei. Eu vasculhei o carro freneticamente, tentando achar qualquer tipo de alucinógeno.

Eu me esqueci de falar, mas o Paulo além de ser vagabundo era um traficante de meia-tigela, sempre foi um retardado.

Mas foi dito e feito, logo embaixo do banco um pacote de cocaína, ainda mais loucamente a escondi na calça, que ficou mais parecendo uma ereção desafortunada.

Ele se aproximou da janela do carro, com uma postura intimidadora que me fez pôr a mão na cara. Ou então era o fato de que ele estava propositalmente mostrando a pélvis contra a janela. Um dos dois.

- O senhor sabe por que eu te parei?

- Não senhor, eu não sei - Eu respondi, tentando fazer o meu dedo do meio levantado parecer o mais casual quanto possível. Então eu abri um grande sorriso porque, ei, policiais também gostam de sorrisos. E quem sabe assim eu confundia ele e conseguia escapar.

- A placa de seu carro está ilegível. Está pichada com alguma coisa sobre “James Cameron pode chupar meu pênis azul!” por cima. - Ele manteve sua postura - E pélvis -, apesar da minha tática de confusão.

Malditos bêbados descontrolados, eu avisei. Mas também, quem é o ser que assiste Avatar alcoolizado.

- Bem, isso foi uma coisa que meu amigo pichou. Mas não é nada demais, não é?

- E o que esse homem está fazendo no banco de trás, amarrado e amordaçado?!

Porra, o Paulo tá no banco de trás. Fodeu. Tarde demais.

- Ele pediu pra ser amarrado, oras. É que ele adora esse tipo de coisa, entende? Adora ser amarrado, amordaçado e carregado no banco traseiro de um carro até aonde diabos quer que eu esteja indo.

Mas que diabos eu estou falando?

- Senhor. - Ele esfregou os olhos, obviamente estando cansado de minhas insanidades. - Tentar ocultar o número do seu carro é uma obstrução de justiça muito, muito séria. Agora, seqüestro é pior ainda.

- Err.. - Eu tentei inventar uma resposta - Mas não deve ser pior que David Hasselhoff e Rosie O’Donnell transando, não é?

O homem ficou embasbacado com a imagem mental que eu havia instalado em sua mente. Ou então com o fato de eu ter pensado em alguma coisa tão idiota e tão sem a ver com o assunto em questão. De qualquer forma, eu aproveitei a brecha para acelerar e tentar escapar de uma multa e uma prisão. Ele me perseguiu, e eu me senti mesmo naqueles programas americanos sendo o bandido em fuga.

- Merda, não acredito que bem agora esse pneu furou. - gritei desesperadamente.

Eu procurei no carro feito um louco para achar uma arma. Qualquer arma. Embaixo do banco do motorista, eu achei uma colher. Não era muito, mas foda-se, era uma arma. Eu saí do carro, colher em punhos, e tentando parecer o mais ameaçador quanto possível.

Hã? Ameaçador? Com uma colher?

Ele olhou para mim, exasperado, tentando se decidir se eu era insano ou se a colher era um explosivo altamente avançado. Ele se decidiu pelo primeiro, e foi chegando cada vez mais perto de mim. Eu brandi a colher, apontando para ele, e ele parou, apontando sua arma para mim.

Na beira da estrada, aconteceu uma luta de nervos de proporções bíblicas. A minha colher contra a pistola dele. Davi contra Golias. Uma formiga contra um lobo. Luke Skywalker contra Darth Vader. Qualquer ser humano na Terra contra Clint Eastwood. Um zebu contra um Exterminador do Futuro. Um germe contra…

Qualquer coisa.

O policial e eu nos encaramos por alguns segundos. Ele deu um passo para frente. Eu segurei a colher com mais força. Ele deu outro passo. Eu comecei a suar frio. Ele chegou o mais perto que pôde, e eu bati na testa dele forte com a colher.

- Ah! Seu filho da puta! - Ele gritou enquanto me algemava. Acho que vou passar uma noite na cadeia.

(Source: poetizei)

Antônio Martins

Nem o galo despertou, mas meu despertador estava lá, amaldiçoando meus sonhos e tormentando meu descanso. Acordo mesmo assim, tomo um banho para lavar a cara de descaso e cansaço que me entorpe por completo, bebo um café mal passado mesmo e vou desse jeito ao trabalho, olhando para todos na rua caminhando juntamente comigo em rumo ao seu dia-a-dia. Pessoas saindo de casaco, bolsas, mochilas, ternos, uniformes. Aquele céu cinza misturado com um pouco do seu azul, estranho porém estava gostoso. E no Botequim eu estou, varrendo o chão, passando pano nas mesas, deixando tudo limpo e pronto para os clientes virem, e fazer daqui seu lugar de afago. É cansativo, mas de todos os meus empregos e todos os lugares que já vivi, esse é meu favorito, pode ser por poder viver em minha mente as histórias de amor, de bravura, de covardia, coisas essas que não cheguei ter a oportunidade de enfrentar. Todos os dias antes do meu expediente, eu fico ali varrendo e ouvindo as conversas, vendo jogos de baralhos e xadrez rolando, aquela música de fundo que nos faz pensar e querer algo. E sou assim, fico pensando, brincando de sorrisos guardados entre meios barulhos entorpecentes que tenta me voltar a realidade, lembrando de tempos onde o mundo era um só e todos eramos iguais, agora tudo está diferente, distinto e desigual. Eu mudei? Meus olhos mudaram? Todo mundo mudou e eu permaneci igual? Não sei, mas agora sei que preciso limpar esse chão, senão ficarei mais tempo trabalhando e não poderei aproveitar a beleza noturna. Beleza noturna que eu vejo a felicidade desesperada dos clientes, protestos infames, promessas a flor da pele que sabemos que não será cumprida, mas são momentos que todos conseguem expor o que precisam e necessitam no momento. Será por isso que eu levo esse sorriso estampado para mostrar como é bom ser a gente mesmo? Mas nem eu sei se sou eu mesmo, irei seguir esse caminho, sentar naquela mesa de xadrez, não pensar na vida mas pensar em estratégias que poderiam ser caminhos de soluções, apenas com o som de fundo no rádio, risadas e discussões ao redor, meus peões e minha cerveja. Ah, que delicia, agora eu posso ser o meu Rei, o Rei Tonho! Porra, nem o nome me ajuda!

Rafael Escobar

Aqui jaz um pobre mulherengo de vida corriqueira. É o que diz meu caderno de anotações. Na verdade, é o que eu digo. Porque vivo na busca de uma cidade que me agrade. Eu encanto tantas mulheres. É uma pena não poder casar com todas. Meu amor não daria conta de tanto. Até daria, mas porque ter uma, se posso ter várias? Eu me lembro de quando resolvi vagar por aí, cheguei na primeira esquina e voltei. Nem o espelho acreditou que eu conseguiria. Devo ter me enamorado com mais de setecentas mulheres em poucos anos.
Na mala, nada mais que roupas usadas e papéis velhos. Não me pergunte como ganho a vida, pois para mim ela já está ganha. Eu só faço uso dela e de qualquer estrada que me encante. Às vezes penso que eu nasci pra ser louco, pra andar à toa mesmo, sem família, provando mulheres -como sempre faço. A mais bela de todas, leve como uma borboleta, nem lembro seu nome, nem a cidade de onde era. Essas coisas não guardo.
Não quero que duvidem de mim. Jamais mentiria quanto a isso. Sou, de fato, um galanteador nato à procura de “amor de uma noite”. Pelo menos é assim que está escrito aqui, na terceira página do caderno. E essa cidade de céu cinza, de sotaque estranho e gente malandra, poderia ser um bom palco para histórias. Reais, diga-se de passagem. Eu não minto, já disse. Meu único defeito é ser um fumante compulsivo. Minha voz já é rouca devido a nicotina e ao alcatrão do meu velho whisky. E por falar nisso, preciso matar a sede. Essa vida de peregrino cansado, de homem dos prazeres, de viajante, não é pra muitos. Ser Rafael Escobar me cansa, às vezes.

Motoboy é como pênis: Tem cabeça e não pensa, vai e vem o tempo todo, quer passar onde não cabe, às vezes se esfola, geralmente anda duro e, de quebra, ainda fode os outros!
Maurício Goes 

(Source: poetizei)

Mauricio Goes

Vida nômade - Liberdade, desapego e aventura” é um convite para viajar.

Difícil essa vida. Ainda mais pra mim que tenho que redobrar meus cuidados todos os dias. 

Saí de casa correndo, atrasado, pra variar. 

- Droga, ainda tenho que passar na padaria. - Resmungo isso todas as manhãs para mim mesmo.

Motoboy é como pênis: Tem cabeça e não pensa, vai e vem o tempo todo, quer passar onde não cabe, às vezes se esfola, geralmente anda duro e, de quebra, ainda fode os outros!

E como era ao certo cheguei atrasado na empresa. 

Obviamente levando o primeiro esporro antes mesmo do café da manhã:

- Atrasado de novo senhor Maurício? 

O quê? Até a secretária?

Mas pior é o meu chefe. Ele é daqueles que não reconhece o trabalho de seus subordinados. Sempre é o correto, a voz da razão. Na verdade não tem opinião própria. 

Pra piorar ainda mais, meu chefe mandou embora na semana passada um tal de Alberto Ferraz, eu não o conhecia, mas todos viviam a falar bem do sujeito e a liderança com que trabalhava. Vai entender.

Se ele, que todos falavam bem, foi mandado embora imagina eu que sempre termino meu serviço o mais rápido possível e acabo por ir parar naquele velho bar da esquina. Pena que ele fica bem em frente a empresa, ainda serei pego ali.

(Source: poetizei)

Cansado. Alma de boemio e força de trabalhador. Assim vivo de cidade em cidade. Descansar? Só se for junto ao carinho das mulheres em minha cama.
Rafael Escobar
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